MEMÓRIAS DO FUTEBOL – SEPP MAIER, A MURALHA DO SÉCULO XX

28/2/1944 – Na cidade de Haar, na Alemanha, nasceu o goleiro Josef Dieter Maier. O goleiro Sepp Maier esteve presente em quatro Copas do Mundo em 1966, 1970, 1974 e 1978. Além do Mundial de 1974, também conquistou a Eurocopa de 1972. Sempre jogou no Bayern Munique, onde foi multi campeão.

A dúvida sobre quem foi o melhor goleiro alemão de todos os tempos sempre gera muita polêmica entre dois nomes: Sepp Maier e Oliver Kahn. Enquanto o último se aposentou em 2008, a era do outro célebre goleiro do Bayern de Munique remonta a um passado bem mais distante.

Josef Dieter Maier, mais conhecido como Sepp Maier, conquistou fama mundial na década de 1970, jogando pelo Bayern e pela seleção, mas teve um início de carreira inusitado. Aos oito anos, quando começou a dar os primeiros chutes no TSV Haar, ele queria ser atacante. No entanto, os companheiros e o treinador tinham outra forma de ver as coisas, e ele precisou ir para o gol. Para a alegria de todos, o garoto tomou gosto pela nova posição. Graças ao enorme talento, ele foi chamado para atuar nas categorias de base do Bayern de Munique em 1959, aos 15 anos.

Títulos e recordes
“Quando criança, eu não dormia com um ursinho de pelúcia, e sim com uma bola”, declarou Maier, relembrando a sua juventude. “Tínhamos uma belíssima relação. Ela era o meu amor. Ainda me recordo bem. Ganhei-a de Natal quando tinha sete anos. Você era um rei se tivesse uma bola de futebol. O dono da bola mandava na equipe, era o técnico.”

A transferência para o Bayern de Munique foi o início de uma carreira espetacular. Três anos depois de chegar à capital da Baviera, Maier assinou o seu primeiro contrato profissional, se firmou como titular e foi fundamental para o sucesso da equipe no período que se seguiu. Juntamente com Franz Beckenbauer, melhor jogador alemão de todos os tempos, e Gerd Müller, maior artilheiro da história do país, Maier formou a base de uma equipe que conquistou inúmeros títulos.

Maier conquistou quatro vezes o Campeonato Alemão e quatro vezes a Copa daAlemanha pelo seu clube. Além disso, levantou cinco troféus internacionais, com destaque para o tricampeonato europeu de clubes em 1974, 1975 e 1976 e para a Copa Intercontinental em 1976 contra o Cruzeiro.

Goleiro do século
Sepp Maier não teve sucesso apenas com a camisa do gigante de Munique. O goleiro, hoje com 67 anos, também brilhou muito pela seleção nacional, sagrando-se campeão mundial em 1974 e europeu em 1972, além de ter ficado com o segundo lugar na Copa do Mundo da FIFA 1966 e na Euro 1976 e com a terceira colocação na Copa do Mundo da FIFA 1970. “Sem o Sepp não teríamos sido campeões mundiais”, comentou Beckenbauer, capitão da seleção vencedora de 1974, ressaltando a enorme importância do arqueiro.

Com 95 partidas disputadas, Maier é até hoje o goleiro que mais atuou com a camisa da Alemanha. Nos seus seis últimos jogos, nos anos de 1978 e 1979, ele foi também o capitão da equipe.

Também não é de espantar que Maier tenha acumulado várias glórias pessoais. Entre outras, ele foi eleito por três anos o melhor jogador alemão e recebeu o prêmio de “Goleiro do Século da Alemanha“. Na eleição dos melhores goleiros de todos os tempos, ele ficou na quarta colocação, atrás apenas de Lev Yashin (Rússia), Gordon Banks (Inglaterra) e Dino Zoff (Itália).

Entre Yashin e Valentin
É estranho pensar que mesmo um ícone do futebol como Sepp Maier, que serviu de exemplo para várias gerações, também tenha tido os seus próprios ídolos. Mas isso mostra um dos traços da sua personalidade. Embora seja um pouco óbvio que Maier fosse fã do russo Lev Yashin, o seu outro ídolo era um pouco mais incomum. Trata-se do comediante alemão Karl Valentin.

Sepp Maier era um fenômeno debaixo das traves, assim como Yashin, e fora de campo também era muito brincalhão, como Valentin. “Um goleiro precisa irradiar calma, mas é preciso tomar cuidado para não dormir”, comentou ele certa vez, dando uma piscadela.

Uma cena inesquecível e que comprova esse seu outro lado aconteceu em uma partida da Bundesliga entre Bayern e Bochum. Um pato entrou em campo, e o goleiro resolveu testar as suas habilidades com a ave, atirando-se em uma tentativa de agarrá-la. O episódio mostrou que a calma de Maier não ficava apenas no discurso, já que a partida estava em um momento tenso e o seu clube estava prestes a cobrar um pênalti.

Final de carreira súbito
Em julho de 1979, a carreira do “Gato de Anzing”, como ele era conhecido, em uma referência ao seu local de nascimento e à sua semelhança com os felinos, chegou a um fim repentinamente. Em um grave acidente de carro, Maier sofreu uma fissura no diafragma, teve uma comoção cerebral, quebrou um braço e fraturou as costelas. “Antes daquilo, eu havia dito que jogaria por tanto tempo que o Franz Beckenbauer e o Gerd Müller precisariam me empurrar na cadeira de rodas para dentro do campo”, comentou Maier sobre o acidente. No entanto, a fatalidade acabou com os seus “planos”.

Mas o humorista do futebol não se deixou desanimar e, depois da sua recuperação, abriu um centro para a prática de tênis. Mais tarde, passou a trabalhar como preparador de goleiros da seleção alemã (1987 a 2004) e do Bayern de Munique (1994 a 2008).

No seu retorno ao gigante da Baviera, ele recebeu a missão de transformar um jovem recentemente contratado junto ao Karlsruher em um goleiro de primeira classe. O seu aprendiz era ninguém menos do que Oliver Kahn, que se tornou o legítimo sucessor de Maier pelos 14 anos seguintes.

Golfe e tênis
Mesmo depois da carreira, Maier não perdeu a veia cômica. Em um programa de televisão, o ex-goleiro da Nationalelf formou um dueto com a cantora norueguesa Wencke Myhre e cantou tradicionais canções futebolísticas, como Er steht im Tor eFussball ist unser Leben. Além disso, “Sepp Copperfield” protagonizou um número de mágica no qual fez desaparecer um pato.

Maier também experimentou ser escritor, lançando os livros “Artista da nação” (1978), “Estou no gol, mas não sou um tolo” (1980), “Supertreino para goleiros” (1990), “Diversão e sucesso. Treino para goleiros” (2000) e “Quem dança com a bola” (2000).

Por outro lado, o ex-goleiro se afastou completamente dos gramados. “Essa fase já passou, e agora pratico apenas um pouco de golfe e tênis”, afirmou, acrescentando que continua assistindo a todos os jogos do Bayern de Munique.

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2 respostas para MEMÓRIAS DO FUTEBOL – SEPP MAIER, A MURALHA DO SÉCULO XX

  1. Realmente, o assunto nos leva a um passado não muito distante, revivendo esses personagens “gigantes ” em suas posições….que conquistaram com brilhantismo , o respeito não só pelos torcedores de suas origens, mas, do Mundo todo….Os camaradas ralmente foram ” feras “…….Parabéns pela matéria PC……..
    FALEIROS.

  2. Realmente, o assunto nos leva a um passado não muito distante, revivendo esses personagens “gigantes ” em suas posições….que conquistaram com brilhantismo , o respeito não só pelos torcedores de suas origens, mas, do Mundo todo….Os camaradas realmente foram ” feras “…….Parabéns pela matéria PC……..
    FALEIROS.

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